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2020 – Um ano difícil para a olivicultura gaúcha

Por @chris.somm - Sommelier de Azeites Milonga

Nesta semana, dia 06/ 03/20, acontecerá o evento “9ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva do Rio Grande do Sul 2020” no município de Caçapava do Sul. Embora um evento simbólico que auxilia na divulgação de toda a cadeia, ele é de extrema importância para unir a cadeia dentro do estado. Porém, desde a floração em meados de outubro de 2019, sabíamos que 2020 seria um ano muito difícil e de pouca produção.

Nesta semana, dia 06/03/20, acontecerá o evento “9ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva do Rio Grande do Sul 2020” no município de Caçapava do Sul. Embora um evento simbólico que auxilia na divulgação de toda a cadeia, ele é de extrema importância para unir a cadeia dentro do estado. Porém, desde a floração em meados de outubro de 2019, sabíamos que 2020 seria um ano muito difícil e de pouca produção.

Acho importante apresentar o cenário para as pessoas que nos seguem e que são apaixonadas por azeite.

A olivicultura nacional é considerada ainda muito jovem para tirarmos conclusões, porém alguns dos principais fatores que fizeram a nova safra ser muito menor que a anterior:

1- Inverno muito instável – A oliveira precisa de um período de temperaturas frias para a formação das inflorescências. Este período é medido em “Chill Hours” e varia para cada variedade de oliveira. O problema desse inverno foi que ocorreram períodos de muito calor no meio do inverno. As temperaturas oscilaram entre mínima de 0ºC num dia para máximas de 32ºC dois dias depois. Isso pode ter gerado um desequilíbrio nas plantas que fizeram com que gerassem menos flores na primavera.

2- Floração Irregular - Com o inverno irregular, existiram relatos de florações em períodos diferentes. Observou-se floração com 2 meses diferentes. Isso é péssimo para a polinização pois reduz a probabilidade de fecundação.

3- Umidade Excessiva na fase de polinização - No período de maior floração, houve clima extremamente úmido, com muitas chuvas. A polinização da oliveira ocorre principalmente pelo vento. Com a umidade, o pólen se hidrata e fica mais pesado, voando distâncias menores e reduzindo o índice de polinização do olival

4- Ciclo Bienal - Embora tenhamos poucos estudos para tirar conclusões no Brasil, na maioria dos países a oliveira um ciclo bienal de produtividade. Ou seja, uma alternância entre um ano de muita produção para um ano de pouca produção é comum. Embora existam técnicas de poda e adubação para reduzir essa acentuação, a safra de 2019 foi muito boa. Então, em parte, os péssimos resultados de 2020 podem se justificar também por isso.

Estima-se que a safra do Rio Grande do Sul será de apenas 20% em volume em relação à 2019. Considerando a expectativa de novos olivais entrando em produção, são números realmente péssimos. Estima-se uma safra igualmente ruim no Uruguai, com 25% do volume do ano anterior.


Em compensação, os azeites que estão começando a ser extraídos estão com uma qualidade excecionalmente acima da média, que já era muito alta! As condições extremas de temperaturas altas e falta de chuvas deste verão colaboram positivamente para a composição do azeite, que tende a aumentar o % de ácido oleico e carga de polifenóis. Esse clima seco também favoreceu a integridade da fruta em relação à antracnose. E isso é fundamental para um azeite de alta qualidade.

Nas próximas semanas estaremos divulgando os resultados da colheita e a previsão de entrada da nova safra no mercado! Fique atento!

Enquanto isso, aproveite a promoção no nosso site de encerramento de estoque. Guardamos poucas unidades ainda para atender somente clientes e assinantes da nossa newsletter.

Acesse

www.azeitemilonga.com.br/shop para mais detalhes.

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